terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Leite Orgânico...sempre uma promessa !





Alguns pecuaristas veem com muito interesse a possibilidade de produzir leite orgânico, mas se enganam quanto a suposta facilidade de comercialização. O único produdor de Leite Orgânico (certificado) do Centro-Oeste só viabiliza sua comercialização pelo leite e seus derivados “pegar carona” na logistica dos produtos vegetais (principalmente verduras). Outro produtor do sudeste que tinha leite orgânico (certificado) vendia seu produto pelo preço de convencional (pois no interior não se tem a cultura de consumir orgânicos e seu volume de produção inviábilizava o envio para a capital). Outro problema é o do processamento do produto, que se não for feito em pequenas unidades de processamento, deve ser realizada via associação de produtores, nem sempre viável ou disponível a curto prazo.
A transição para a produção agroecológica demanda antes de tudo, uma mudança do paradigma dos produtores e principalmente dos técnicos. Não se trata de uma simples substituição de insumos, e sim, de um total redesenho da propriedade, da adoção de tecnologicas de processo, práticas ecológicas, de bem-estar animal - e isto só se faz por meio do pensamento sistemico.
Tenho acompanhado várias tentativas frustadas de produtores na sua conversão. Diria que a maioria dos processos de transição foram abortados, primeiro pela falta de conversão do próprio empreededor e seus consultores técnicos, segundo, por dificuldades em viabilizar o processamento e logística de distribuição e venda.
A gestão é a base de tudo. Uma atividade que busca eficiência (produtiva, finaceira, ambiental, energética, ecológica, etc.)  precisa de muita tecnologia (de processo principalmente). Não é como muitos pensam, que produzir orgânicamente, é voltar ao passado e “criar na larga” como faziam nossos avós. Como não se pode usar as “facilidades” das “artificialidasdes” dos insumos e pesticidas, deve-se dominar bem os processos produtivos e a interação deste com o ambiente - o que demanda muito conhecimento. Graças ao vanguardismo de alguns iluminados (muitas vezes alvos de chacotas), vários estudos para a introdução de práticas ecológicas e de bem-estar animal já existem no meio cientifico (na Embrapa, nas Universidades, na iniciatica privada, etc), porém estão todos engavetados. Contudo, precisa-se ainda, pesquisar e “validar” muito mais.
Enquanto o custo ambiental não estiver inserido na valoração dos produtos agropecuários, e a sociedade como um todo, não assumir conjuntamente este onus, será dificil mostrar para a sociedade a importância da produção agroecológica. Mesmo assim, penso que o produtor pode utilizar de práticas ecológicas e de gestão para melhorar sua eficiência no uso dos recursos que lhe é disponibilizado pela natureza, e ainda tirando proveito financeiro desta atitude.
Diz a sabedoria popular: “O ótimo e inimigo do bom”. Sendo assim, Muitos produtores bem intecionados, se perdem no caminho, tropeçando nas excessivas exigências da legislação e das certificadoras. Normas muitas vezes criadas a partir de realidades muito distantes das nossas, e sem validação cientifica, apenas ideológica. Talvez fosse melhor começarmos com um “Leite Verde”, com o uso mais racional dos recursos, com menos exigências e proibições descabidas, para primeiro aprendermos a tarefa, e depois, evoluirmos para uma Produção Orgânica de fato.
Hoje a produção orgânica é excludente. Tanto na produção, quanto no consumo. O Produtor na sua maioria não tem “capacidade” para enfretar tal desafio, selecionando assim, os mais favorecidos. O consumidor pelo baixo poder aquisitivo – não tem acesso a este tipo de produto. Atualmente temos duas classes de produtores: uns que nâo podem nada e outros que podem tudo. E temos dois tipos de produtos, um que damos para os nossos filhos com a consciëncia tranquilia e um outro que vendemos”.