segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Guia Alimentar para a População Brasileira

O Ministério da Saúde lançou na quarta-feira (5) o novo Guia Alimentar para a População Brasileira. A atualização da publicação relata quais cuidados e caminhos para alcançar uma alimentação saudável, saborosa e balanceada. A nova edição, ao invés de trabalhar com grupos alimentares e porções recomendadas, indica que a alimentação tenha como base alimentos frescos (frutas, carnes, legumes) e minimamente processados (arroz, feijão e frutas secas), além de evitar os ultraprocessados (como macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote e refrigerantes). O lançamento ocorreu durante a reunião do Conselho Nacional de Saúde, em Brasília.

A intenção do Guia Alimentar é promover a saúde e a boa alimentação, combatendo a desnutrição, em forte declínio em todo o país, e prevenindo enfermidades em ascensão, como a obesidade, o diabetes e outras doenças crônicas, como AVC, infarto e câncer. Além de orientar sobre qual tipo de alimento comer, a publicação traz informações de como comer e preparar a refeição, e sugestões para enfrentar os obstáculos do cotidiano para manter um padrão alimentar saudável, como falta de tempo e inabilidade culinária.

Mais do que um instrumento de educação alimentar e nutricional, o guia se insere dentro da estratégia global de promoção da saúde e do enfrentamento e do excesso de peso, que já atinge mais da metade da população brasileira. A carga de doença associada à obesidade é imensa. Para sair da agenda da doença, precisamos trabalhar pela melhoria da alimentação e incentivar a prática de hábitos saudáveis. Não estamos proibindo nada, mas temos recomendações claras de qual alimento priorizar, destaca o ministro da Saúde, Arthur Chioro.

Dados da pesquisa Vigitel 2013 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) indicam que atualmente 50,8% dos brasileiros estão acima do peso ideal e 17,5% são obesos. Os percentuais são 19% e 48% superiores que os registrados em 2006 - quando a proporção de pessoas acima do peso era de 42,6% e de obesos era de 11,8%.

Redigido em linguagem acessível, o Guia Alimentar se dirige às famílias diretamente e, também, a profissionais de saúde, educadores, agentes comunitários e outros trabalhadores cujo ofício envolve a promoção da saúde da população. A versão impressa do documento, com 151 páginas ilustradas, será distribuída às unidades de saúde de todo o país, e a versão digital estará disponível no portal do Ministério da Saúde.

O Guia orienta as pessoas a optarem por refeições caseiras e evitarem a alimentação em redes de fast food e produtos prontos que dispensam preparação culinária (sopas de pacote, pratos congelados prontos para aquecer, molhos industrializados, misturas prontas para tortas). Outras recomendações são o uso moderado de óleos, gorduras, sal e açúcar ao temperar e cozinhar alimentos, e o consumo limitado de alimentos processados (queijos, embutidos, conservas), utilizando-os, preferencialmente, como ingredientes ou parte de refeições. Na hora da sobremesa, o ideal é preferir as caseiras, dispensando as industrializadas.

Destaque especial é dado também às circunstâncias que envolvem o ato de comer, aconselhando-se regularidade de horário, ambientes apropriados e, sempre que possível companhia. O ideal é desfrutar a alimentação, evitar a refeição assistindo à televisão, falar no celular, ficar em frente ao computador ou atividades profissionais.

O novo guia também busca valorizar a culinária, e indica o planejamento das refeições e interação social, com o envolvimento de amigos e família na elaboração da comida. No Brasil e em muitos outros países, a transmissão de habilidades culinárias entre gerações vem perdendo força, admite a coordenadora de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde e responsável pela coordenação geral do projeto de elaboração do Guia Alimentar, Patrícia Jaime. Por isso, o Guia Alimentar dedica uma parte importante de suas recomendações à valorização do ato de cozinhar, ao envolvimento de homens e mulheres, adultos e crianças nas atividades domésticas relacionadas ao preparo de refeições e à defesa das tradições culinárias como patrimônio cultural da sociedade, enfatiza.

O Guia Alimentar foi produzido em parceria com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo e com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde e substitui a versão anterior de 2006. O processo de elaboração envolveu profissionais de saúde, educadores e representantes de organizações da sociedade civil de todas as regiões do Brasil. A conclusão contou ainda com o resultado de uma consulta pública que envolveu 436 participantes e recebeu 3.125 comentários e sugestões.

O novo guia dá importância às formas pelas quais os alimentos são produzidos e distribuídos, privilegiando aqueles cuja produção e distribuição seja socialmente e ambientalmente sustentável como os alimentos orgânicos e de base agroecológica.

Clique aqui e confira a versão digital do Guia Alimentar

Fonte: Agência Saúde
7 de novembro de 2014

terça-feira, 15 de julho de 2014

Respostas Fisiológicas e Comportamentais de Bovinos a Diferentes Ofertas de Sombra

RESUMO


Avaliou-se o efeito de diferentes disponibilidades de sombreamento na resposta fisiológica e comportamental dos bovinos em pastagens. Foram utilizados 12 vacas em lactação num quadrado-latino (4x4), com os seguintes tratamentos: sem sombra, sombra única, sombra em bosque e sombra dispersa. As variáveis foram: tempos pastando, ruminando e outros comportamentos; tempo na sombra e deitada; produção de leite; consumo de água; temperatura retal e freqüência respiratória. Os tratamentos bosque e dispersa não apresentaram diferenças entre si e neles as vacas apresentaram maiores tempos pastando, ruminando, deitadas e na sombra, assim como, maior consumo de água e menores temperaturas retais e freqüências respiratórias. Sem sombra as vacas apresentaram maiores tempos de outros comportamentos, menor consumo de água e maior diferença na freqüência respiratória. Com sombra única a ruminação foi maior que sem sombra, se igualando aos demais tratamentos e as vacas apresentaram valores intermediários, entre os tratamentos sem sombra e os demais, no tempo de outros comportamentos, no consumo de água e na diferença da freqüência respiratória. Conclui-se então que a ausência de sombra na pastagem provoca estresse calórico; a sombra insuficiente ajuda a diminuir o estresse a um nível intermediário e a distribuição espacial da sombra não apresenta diferença significativa.

Autores:  Luiz Carlos Britto Ferreira, Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho, Maria José Hotzel, Andréa Amaral Alves, Alexandre de Oliveira Barcellos

Artigo Publicado em Cadernos de Agroecologia - ABA, Associação Brasileira de Agroecologia

V. 9, N. 2 (2014): II ENCONTRO PAN-AMERICANO SOBRE MANEJO AGROECOLÓGICO DE PASTAGENS 07 A 09 DE ABRIL DE 2014 PELOTAS – RS, BRASIL


para acessar o texto completo - link:  

http://www.aba-agroecologia.org.br/revistas/index.php/cad/article/view/15843



terça-feira, 3 de junho de 2014

A separação da vaca influencia negativamente o estado emocional do bezerro

O grupo de pesquisa do Laboratório de Etologia Aplicada e Bem-Estar Animal (Leta), do Departamento de Zootecnia e Desenvolvimento Rural da UFSC, publicou, em parceria com pesquisadores da University of British Columbia, o primeiro estudo que mostra que a separação da vaca influencia negativamente o estado emocional do bezerro. O trabalho, publicado recentemente na revista PLOS ONE (http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0098429), fez parte da dissertação de Rolnei Ruã Darós, orientada pela professora Maria José Hötzel e defendida em abril deste ano no Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas.
Nos sistemas de produção animal, os bezerros são desmamados e separados da mãe em várias idades. Diversos estudos, inclusive o do LETA, já haviam mostrado que esse procedimento, que faz parte da rotina de criação animal, desencadeia respostas comportamentais e fisiológicas indicando estresse fisiológico e emocional nos bezerros e vacas – este estudo confirmou que aqueles apresentam uma resposta emocional negativa após perderem a mãe.
A metodologia utilizada para testar essa hipótese, inicialmente desenvolvida e validada por psicólogos para uso em humanos, é chamada de viés cognitivo. Um exemplo tipicamente apresentado para explicá-lo é o do copo com água até exatamente sua metade: indivíduos otimistas, ou em estados emocionais positivos, tendem a interpretá-lo como meio cheio; indivíduos pessimistas, ou em estados emocionais negativos, a interpretá-lo como meio vazio.
Neste experimento, bezerros leiteiros de poucos dias de idade foram treinados a acionar uma tela de computador com o focinho; depois, eles aprenderam a associar a tela de cor branca à chegada de leite, que podiam beber dirigindo-se à mamadeira. Quando a tela vermelha aparecia, o bezerro precisava ficar parado, pois, se procurasse o leite, era punido por um minuto com a proibição de acionar a tela. Após considerados treinados, algumas vezes a tela aparecia em cor-de-rosa, ou seja, a informação era ambígua. Antes da separação da mãe, os bezerros respondiam às telas rosa como positivas em 72% das vezes. No dia seguinte após a retirada da mãe do seu ambiente de criação, essa frequência diminuiu, isto é, os bezerros passaram a interpretar a cor ambígua da tela como a cor que eles tinham associado a um evento negativo – essa resposta pessimista persistiu por mais de 48 horas. Além disso, o mesmo resultado foi obtido ao testar esses bezerros com o mesmo procedimento antes e um dia após serem submetidos à cauterização do botão cornual com um ferro quente – prática utilizada para evitar o crescimento dos chifres, que causa intensa dor e desconforto por mais de 48 horas. Este trabalho é o primeiro a mostrar que as dores física e da separação induzem bezerros a estados emocionais negativos.
Estudos como este, que ajudam a reconhecer estados emocionais em animais, reforçam a obrigação que os seres humanos têm de prevenir o sofrimento dos animais utilizados para o seu benefício.
Confira o artigo publicado: Daros et al 2014
Claudio Borrelli / Revisor de Textos da Agecom / Diretoria-Geral de Comunicação/ UFSC

terça-feira, 6 de maio de 2014

Certificação e Empreendedorismo na Produção Orgânica - Troca de Experiências

Data: 14 de maio de 2014

Local: Agrobrasilia - BR 251 Km 05 PAD-DF, Brasilia-DF (sentido Unaí)

www.agrobrasilia.com.br




OBJETIVOS

1. Estimular o empreendedorismo para a produção orgânica animal;
2. Identificar e orientar as formas de certificação.
3. Permitir que os técnicos tenham uma visão conjunta dos princípios, métodos e principais práticas agroecológicas utilizadas em sistemas orgânicos de produção;
4. Motivá-los a aplicar estes métodos e introduzir tecnologias agroecológicas nos sistemas de produção dos agricultores orgânicos.

PÚBLICO

Técnicos, Produtores orgânicos do DF/ RIDE e Alunos dos Cursos de ensino técnico, graduação e pós graduação.

PROGRAMAÇÃO

Manhã:    Unidade de Sistemas Silvipastoris Orgânicos - Uppo Agrobrasília

9h -10h  Organização de produtores para a produção de base agroecológica e implantação das UD/UV ovos e frangos Agrobrasilia- Articulador- Marcio Saatkamp-Embrapa Suínos e Aves

10h – 10h30h  Intervalo

10h30 - 11h30   Organização de produtores para a produção de base agroecológica de leite -UPPO/SSP-LEITE AGROBRASILIA Articulador- Luiz Carlos Britto Ferreira-EMATER-DF.

Tarde:    Auditório do Sebrae na Agrobrasilia

13h30 - 14h30 Legislação para a produção orgânica animal-Claudimir Sanches-CPORG/SFA/MAPA

14h30 - 15h30 Plano de negócios e experiências empreendedoras para a produção de base ecológica no DF E RIDE-Roberto Faria dos Santos Filho-SEBRAE-DF

15h30 -16h Intervalo

16h - 17h- Organismo participativo de avaliação da conformidade orgânica-Glênio Pimenta-OPAC CERRADOS



ORGANIZADORES

João Paulo Guimarães Soares - Embrapa Cerrados
Valdir Silveira de Ávila - Embrapa Suínos e Aves

Parcerias: CPORG-DF, Emater-DF, SEBRAE-DF e SINDIORGANICOS-DF

quinta-feira, 1 de maio de 2014

O metano e a dor das vacas


Os ruminantes são responsáveis pelo efeito estufa? Esta é uma questão que deve ser analisada com cuidado. Segundo diferentes organizações internacionais, entre elas a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), a pecuária responde por 15 a 28% da emissão mundial de metano, um dos gases que mais contribuem para o fenômeno. 

Há duas formas de se ver este número: a primeira é que, sim, os ruminantes emitem até 28% do metano no planeta! A segunda, todavia, nos indica que 72 a 85% da produção não é emitida por eles. Ou seja, é resultado de outras fontes comuns do gás, como a cultura de arroz, a queima de combustíveis fósseis, esgotos, aterros e também manguezais. 

Para minimizar o problema, de toda forma, pesquisadores argentinos do Instituto Nacional de Investigação Agrícola (INTA) desenvolveram uma tecnologia específica para o gado, que evita a liberação do metano no ar e ainda o aproveita para gerar energia para carros. Uma mochila é acoplada às costas do animal e conectada ao seu rúmen ("estômago"), através de uma fístula e um tubo, que recolhe o gás. 

A ideia é ótima: imagine quanta energia seria gerada pelos animais em uma fazenda?


O problema é que a fístula ruminal – uma abertura cirúrgica permanente feita na lateral do corpo das vacas – causa dor crônica a esses mamíferos, por toda a vida. O uso contínuo da mochila também gera lesões de atrito e desconforto (devido ao suor). E aí vem a pergunta: é justo causar dor a um animal para diminuir a emissão de gases e produzir energia?

Algumas pesquisas científicas indicam soluções não invasivas para a diminuição da emissão de metano pelo gado e mesmo para o aproveitamento deste gás, geralmente eructado (como um "arroto") por ruminantes. É sabido, por exemplo, que a qualidade da dieta influencia em sua produção: quanto melhor a alimentação, menor a emissão de gás. Isso pode ser obtido com melhoria das pastagens, integração lavoura-pecuária ou mesmo a utilização de suplementos energéticos. 

Outra alternativa – e talvez uma das melhores – é a criação em sistemas silvipastoris, que combinam árvores, gado e pastos. Em áreas recém-plantadas, a qualidade da pastagem é melhor e ainda permite fixar muito carbono no solo, o que compensa parte das emissões de gases do efeito estufa. Além disso, em alguns sistemas de criação (como os de produção leiteira) é possível recolher os dejetos das vacas e utilizarbiodigestores para gerar energia. 

Portanto, sim, a emissão de metano por ruminantes existe e é um problema. Mas existem alternativas para minimizá-la, sem ser à custa do sofrimento dos animais.

Por Paola Rueda, zootecnista 
Supervisora de bem-estar animal da WSPA Brasil

Fonte: http://www.wspabrasil.org/latestnews/2014/o-metano-e-a-dor-das-vacas.aspx

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Plataforma eletrônica simula funcionamento de ecossistemas para aferir benefícios e impactos

Batizada de The Madingley Model, sistema permite simular perdas e ganhos ambientais antes que determinada ação seja tomada.


A Microsoft e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), após três anos de estudo e pesquisa, criaram o General Ecosystem Model (GEM), uma plataforma digital que simula qualquer tipo de vida na Terra, tanto no ambiente aquático, quanto no terrestre. Ela também ficou conhecida como The Madingley Model.
O modelo é o primeiro a cobrir todos os processos biológicos mais fundamentais que formam o ciclo de vida e o comportamento de todos os milhões e milhões de organismos do planeta. Ele leva em conta fotossíntese, alimentação, metabolismo, reprodução, dispersão, e morte, para, desse modo, capturar como tais processos influenciam na estrutura e no funcionamento dos ecossistemas inteiros.
A tecnologia criada em código aberto possibilita aos cientistas interagirem com todos os organismos de um dado ecossistema, observando quais seriam as alterações climáticas caso uma singela abelha desaparecesse do local. O objetivo da plataforma pode ser resumido em algumas perguntas mencionadas no site oficial: como as interações entre plantas e animais transforma os ecossistemas que vemos ao nosso redor? Como esses ecossistemas variam em todo o mundo? O que vai acontecer a esses ecossistemas no futuro em resposta a várias pressões humanas? Como podemos reduzir ou reverter qualquer dano já feito?
O nome da plataforma se deve ao local em que os desenvolvedores primeiro se reuniram, em uma pequena vila britânica. O modelo atual é capaz de reproduzir as características dos ecossistemas que vemos no mundo real, em pequena e grande escala, além de fazer previsões testáveis sobre como interações ecológicas entre organismos individuais moldam o mundo natural que nos rodeia.
Madingley oferece aos governantes uma ferramenta para explorar os potenciais efeitos de suas decisões sobre o meio ambiente, em um computador, antes que as decisões sejam lançadas no mundo real. Com ele, é possível ver os efeitos das ações humanas (tais como a perda de habitat ou a introdução de espécies invasoras no ecossistema), além dos serviços que o ecossistema pode oferecer (polinização, fonte de água potável, etc.).
“Madingley é uma nova tecnologia que oferece à comunidade científica e aos líderes mundiais uma ferramenta vital para prever como formas de desenvolvimento não sustentável podem afetar o mundo natural”, explicou o diretor executivo do Pnuma, Achim Steiner.
Para conhecer mais sobre a ferramenta, acesse seu site oficial (em inglês). Lá, também é possível se aventurar e baixar o programa para testá-lo.
fonte: http://www.ecycle.com.br/component/content/article/37-tecnologia-a-favor/2300-plataforma-eletronica-simula-funcionamento-de-ecossistemas-para-aferir-beneficios-e-impactos.html

sábado, 25 de janeiro de 2014

O Perigo dos Agrotóxicos - Artigo da ABRASCO

O agronegócio brasileiro vem pressionando a Presidência da República e o Congresso para diminuir o papel do setor de saúde na liberação dos agrotóxicos. O Brasil é o maior consumidor desses venenos no planeta e a cada dia se torna mais dependente deles. Qual o impacto que essas medidas terão na saúde da população brasileira?
No Brasil, a cada ano, cerca de 500 mil pessoas são contaminadas, segundo o Sistema Único de Saúde (SUS) e estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os brasileiros estão consumindo alimentos com resíduos de agrotóxicos acima do limite permitido e ingerindo substâncias tóxicas não autorizadas.
Em outubro, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelou que 36% das amostras analisadas de frutas, verduras, legumes e cereais estavam impróprias para o consumo humano ou traziam substâncias proibidas no Brasil, tendência crescente nos últimos anos.
Os agrotóxicos afetam a saúde dos consumidores, moradores do entorno de áreas de produção agrícola ou de agrotóxicos, comunidades atingidas por resíduos de pulverização aérea e trabalhadores expostos. Mesmo frente a esse quadro, mais dramática é a ofensiva do agronegócio e sua bancada ruralista para aprofundar a desregulamentação do processo de registro no país.
Qualquer agrotóxico, para ser registrado, precisa ser analisado por equipes técnicas dos ministérios da Agricultura, Saúde e Meio Ambiente. Inspirados na CTNBIO, instância criada para avaliar os transgênicos, que até hoje autorizou 100% dos pedidos de liberação a ela submetidos, os ruralistas querem a criação da CTNAGRO, na qual o olhar da saúde e meio ambiente deixaria de ser determinantes para a decisão.
Quem ganha e quem perde com essa medida? Não há dúvida que entre os beneficiários diretos está o grande agronegócio, que tem na sua essência a monocultura para exportação. Esse tipo de produção não pode viver sem o veneno porque se baseia no domínio de uma só espécie vegetal, como a soja. Por isso, a cada dia, surgem novas superpragas, que, associadas aos transgênicos, têm exigido a liberação de agrotóxicos até então não autorizados para o Brasil. O mais recente caso foi a autorização emergencial do benzoato de amamectina usado para combater a lagarta Helicoverpa, que está dizimando as lavouras de soja de norte a sul do país. A lei que garantiu a liberação desse veneno tramitou e foi aprovada em um mês pelo Congresso e pela Presidência da República.
A pergunta que não quer calar é: no momento em que a população brasileira espera um Estado que garanta o direito constitucional à saúde e ao ambiente, por que estamos vendo o contrário? Na maioria dos estados brasileiros os agrotóxicos não pagam impostos.
O Estado brasileiro tem sido forte para liberalizar o uso de agrotóxicos, mas fraco para monitorar e controlar seus danos à saúde e ao ambiente. Enquanto isso, todos nós estamos pagando para ser contaminados...
(Fernando Carneiro é professor da UnB e coordenador de saúde e meio ambiente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva - ABRASCO)

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Relatório do 1º encontro da REDE de sistemas orgânicos de Produção Animal do DF

Objetivo: Levantamento de demandas para resolução dos entraves para o desenvolvimento de sistemas orgânicos de produção animal e/ou integrados.

Data da realização: 30 de abril de 2013, Local: Auditório da Emater-DF.

Participantes: Alberto Tavares – CLDF, Aline M. C. Racanicci – UnB, Ana Paula Alves da Silva - Tec. Balde Cheio, Anna Catarina V. Valle – Malunga, Antonio de A. Nobre Jr - Produtor/UnB, Carlos Gilberto Caetano – Produtor, Claudimir R. Sanches - SFA-DF, Clemente Riquelme - Produtor – Aves, Edson Garcia Cytrangulo - Emater-DF, Élcio F. Ministério – Produtor, Eliana Soares Rodrigues – Produtora, Florence Marie Berthier - Emater-DF, João Paulo G. Soares – Embrapa, Joe Valle - CLDF/ Malunga, José Roberto Oliveira - Emater-DF, Júlia Eumira G. N. Perini – IFB, Lúcio de Queiroz Passos – SEAGRI, Luiz Carlos B. Ferreira - Emater-DF, Marcelo I. Cores – Veterinário, Marcelo Piccin - Emater-DF, Maria C. Bustamante - COAGRE/MAPA, Mario Tupiguá – SEAGRI, Massae Watanabe -  Mercado Orgânico, Moacyr Pereira Lima – Sindiorgânicos, Natal Gomes da Silva - Emater-DF, Norma C. G. Sesana – Produtora,  Roberto G. Carneiro - Emater-DF, Sergio Dias Orsi - Emater-DF, Suzane Durães – CLDF, Tiago Castro de Castro Jr - Emater-DF e Virginia Mendes C. Lira - COAGRE/MAPA.

Introdução

A produção animal orgânica gera alimentos mais saudáveis para a população e tem princípios que colaboram para a preservação ambiental e justiça social. Porém, para que ela se torne uma realidade precisa ser viável técnica e economicamente. Os números hoje nos mostram que a quantidade de produtores orgânicos é muito pequena e que praticamente não existem produtos de origem animal nas feiras e mercados.
Várias são as causas deste panorama e precisamos tomar uma atitude para mudar está realidade. Portanto, por meio de uma rede de pessoas interessadas, podemos discutir os entraves e catalisar as potencialidades da produção orgânica. A rede, por meio do intercambio de informações pode gerar ações que, de maneira prática, viabilize o ensino, a pesquisa e a difusão de tecnologias de forma mais rápida, organizada e eficaz.
Os resultados gerados por estas ações poderão ser usados por toda a pecuária, mesmo que não orgânica, e todos poderão obter benefícios. Pois a eficiência no uso dos recursos é importante para todo e qualquer sistema de produção. É essencial para a sociedade produzirmos alimentos (e outros produtos animais) com bom desempenho ambiental, justiça social e viabilidade econômica. 

A reunião
            A coordenação foi feita pelos técnicos da Emater-DF: Luiz Carlos Britto Ferreira, Roberto Guimarães Carneiro e Sérgio Dias Orsi. Após apresentados os objetivos da reunião, uma breve exposição do “estado da arte” da Produção Animal Orgânica no DF e os diagnósticos/ações anteriores já realizados, foi levantado junto aos participantes, por meio da metodologia “tempestade de ideias”, os pontos críticos, dificuldades e demandas em geral.

Sistematização
            A coordenação anotou todas as falas dos participantes e as organizou classificando-as por dimensões, sendo elas: humano social, Ecológica Ambiental, Tecnológica, Econômica, Institucional, Política e Legal.
            Esta classificação foi feita para facilitar os encaminhamentos das ações a serem tomadas, pois casa ator pode se visualizar melhor no sistema e atuar no processo pontualmente, porém, pensando sistemicamente (agir local, pensar global).  A colheita é comum, mas o capinar é sozinho (Guimarães Rosa).


Apresentação das demandas dos participantes por dimensões

Humano social
As instituições, tanto públicas, quanto privadas, devem ter planejamento de curto-média-longo prazo;
As organizações sociais (sindicato, associações e cooperativas) precisam profissionalizar a gestão, buscar parcerias efetivas entre elas e com as instituições públicas;
A criação uma rede na cadeia produtiva serviria como facilitador de todos os processos;
Foram citados entraves como: os custos operacionais da cooperativa são altos, Individualismo (falta de consciência cooperativista), falta de participação efetiva dos cooperados (“dificuldade de realizar”), faltam recursos para pagar por gestão profissional;
Os processos de internalização e operacionalização na prática são lentos (CAISPE – levou 8 anos para se consolidar).
Avaliação do preço justo de venda.

Ecológica ambiental
Promover a diversificação (ajuda diminui problemas sanitários);
Fazer análise de águas subterrâneas e outros possíveis contaminantes.

Tecnológica
Projeto de pesquisa (estruturação da Cadeia do leite) enviado para a FAP-DF ainda não foi avaliado – processo muito moroso;
Projeto de desenvolvimento da produção agroecologica da Embrapa tem dez anos de pesquisa, tem um portfólio com todas as pesquisas que precisa de divulgado;
Recursos do MDA – Mais Alimentos para a UPPO na Agrobrasília foi cortado em 2/3 do seu valor inicial;
Animar o processo buscando as pessoas que podem ser parceiras na solução dos problemas;
Criar uma rede na cadeia produtiva;
Pesquisar e validar alternativas de: seleção genética, controle de endo-ectoparasitos, produção de grãos, fornecimento de nitrogênio (adubação verde), controle de invasoras, equipamentos e processos do uso eficiente dos insumos (uniformização na distribuição do composto, etc.), banco de proteínas, nutrição animal (núcleos, raçoes alternativas balanceadas, fatores anti-nutricionais da soja, etc.), homeopatia, prevenção e combate a doenças infecciosas, soluções práticas de bem-estar animal; redesenho dos agroecossistemas (Integração animal x vegetal), mecanização adaptada a realidade da produção orgânica, combate a formigas, entre outras;
Verticalização da produção - agregar valor;
Focar o debate na cadeia produtiva por produto;
Pesquisadores da Embrapa estão disponíveis para implantar unidades de produção orgânica de milho e soja. (O que limita são recursos financeiros para deslocamento);
Necessidade de se formar grupos para compras conjuntas;
Trabalhar (eventos, pesquisa, extensão) por cadeias produtivas;
Encontros periódicos nas propriedades rurais para troca de experiências, encaminhamentos de ações iniciais, ações que serão realizadas em curto, médio e longo prazo;
Desafio por gestão de diversos processos (complexidade da gestão);
Sincronização entre oferta e demanda (tem produto e não tem mercado);
Equacionar: preço, logística, canais de comercialização, escala, regularidade.
São feitos diagnósticos, mas não tem encaminhamentos efetivos (qual o método de trabalho que vaio trazer mais resultados);
Econômica
Verticalização da produção - agregar valor;
Rentabilidade (buscar eficiência no sistema de produção);
Sincronização entre oferta e demanda (tem produto e não tem mercado); 
Equacionar: preço, logística, canais de comercialização, escala, regularidade;
Dificuldade para conseguir esterco (matéria orgânica);
Atores do processo não dependem da atividade;
Qual o tamanho do empreendimento (escala?);
Encontrar equilíbrio entre o preço justo e de mercado;
Custos operacionais da cooperativa são altos;
Estratégia comercial da venda de aves (vivo ou abatido);
Tem que promover o produto orgânico (clareza quanto ao preço para os consumidores);
Estudo de mercado DF e Entorno (Quantidade, qualidade e em que preço o consumidor esta disposto a comprar, Onde está a demanda?);
SEBRAE - promover rodadas de negócio aproximando agricultores e compradores;
Esclarecer melhor o consumidor dos processos diferentes de produção e informar a sociedade dos ganhos em longo prazo (esta responsabilidade é do estado?).
Institucional
ATER voltada para massificação para agroecologia;
Melhorar a eficiência no uso dos recursos públicos - EMBRAPA;
Ser multiplicadores de processos pela proximidade do poder;
Submissão na Embrapa muito difícil, apesar dos avanços no geral como o marco referencial em Agroecologia.
Portfólio de tecnologias reúne projetos de todos os “macroprogramas - Embrapa”;
Transferência de tecnologia – Implantação de unidades de experimentação na propriedade dos agricultores;
Ter foco nos encaminhamentos;
Crédito – morosidade;
Dificuldade em implementar processos complexos nas instituições;
Diagnósticos sem resultados práticos no futuro.
Viabilizar os recursos colocados no orçamento da Emater-DF (melhorar a eficiência no uso destes recursos);
Aplicação de recursos de emenda parlamentar para montagem de unidades demonstrativas;
Morosidade nos trâmites processuais nas instituições públicas (normas para feiras orgânicas – não saiu);
Estratégia comercial – projeto para frango vivo nas feiras (ver se não há restrições nas leis da defesa agropecuária);
Cuidados na comercialização para separar ovo orgânico do não orgânico;
SEBRAE - promover rodadas de negócio aproximando agricultores e compradores;
Política
Legislação federal muito restritiva;
Incoerência – o produtor orgânico que tem que se proteger da contaminação dos transgênicos e não estes tem que evitar que a contaminação se espalhe;
ATER voltada para massificação para agroecologia;
Melhorar a eficiência no uso das emendas parlamentares;
Processo de massificação com inclusão de assentados da reforma agrária;
Utilizar recurso colocado no orçamento da Emater-DF;
Aplicação de recursos de emenda parlamentar para montagem de unidades demonstrativas;
Aumentar eficiência da Emater no uso dos recursos;
Lei de incentivo a Agroecologia – ainda não foi promulgada.
Legal
 Legislação federal muito restritiva;
Incoerência – o produtor orgânico que tem que se proteger da contaminação dos transgênicos e não estes tem que evitar que a contaminação se espalhe;
Melhorar a eficiência no uso dos recursos públicos - EMBRAPA;
Melhora a eficiência no uso das emendas parlamentares;
Certificação da produção de ovos e frango (dificuldades para atender a legislação);
Restrição na legislação está dificultando o processo de desenvolvimento da produção orgânica;
Lei de incentivo a Agroecologia – ainda não foi promulgada;
Certificação da produção de ovos e frango (dificuldades para atender a legislação);
Paradigmas institucionais (de normatização) dever ser superados.
Estratégia comercial – projeto para frango vivo nas feiras (ver se não há restrições nas leis da defesa agropecuária).

1.   Considerações Finais

As demandas foram levantadas e classificadas, agora cabe a cada um dos participantes da rede, fazer sua análise e refletir sobre seu papel neste sistema.
O próximo passo seria fazermos uma reunião para uma análise coletiva. A partir desta analise coletiva já proporíamos os encaminhamentos necessários para organizarmos melhor as ações (já que elas existem) para buscarmos maior eficácia.
Coloco-me a disposição para coordenar os encontros e as ações discutidas na REDE, o blog “Pecuária Ecológica” link: http://pececo.blogspot.com.br/  para divulgação de trabalhos, eventos e afins.
Espero a contribuição de todos em prol de uma Pecuária mais sustentável e rentável para o Criador, podendo levar assim, uma alimentação mais segura e saudável aos consumidores.


Luiz Carlos Britto Ferreira
Médico Veterinário
Extensionista Rural da Emater-DF
  
Brasília-DF, 2013